sábado, 20 de fevereiro de 2010

Todo Poderoso

Assisti outro dia ao filme Todo Poderoso, com o Jim Carrey. Perguntei a alguns alunos que mensagem eles achavam que o filme trazia. A maioria referiu-se à dificuldade de se substituir o Criador na infinidade de tarefas e decisões que, certamente, o cargo enseja. Mas por traz da ingenuidade aparente da estória, busquei uma comparação mais corporativa. Qual de nós não acha que poderia fazer melhor que o chefe, melhor que o seu pai, melhor que o síndico do prédio, melhor que o prefeito da cidade, melhor que o Presidente da República, melhor que o técnico da seleção, melhor que o professor? Para quem está de fora, as coisas sempre são mais fáceis do que aparentam. Um colega, certa vez, me disse que para nós sentirmos o mesmo calo é preciso calçar o mesmo sapato. Achei ótima a frase.

Muitas vezes julgamos as decisões sob o ponto de vista estritamente de nossas necessidades pessoais. Não analisamos o impacto e as conseqüências que terão sob outros comandados, como provavelmente fez a pessoa que decidiu. Somos intolerantes, obtusos e egoístas. Vejamos um caso concreto: quando um dia letivo cai logo depois de um feriado prolongado, muitos alunos faltam e exigem que o professor repita o conteúdo da aula. Mas, como ficam os alunos que compareceram? Simplesmente as pessoas querem que o professor dê um jeito. É como pedir à Globo para repetir o capítulo da novela só porque você estava viajando e não assistiu.

A empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do semelhante, no mesmo contexto. É por isso que o professor tem que ser paciente, compreensivo e usar métodos de ensino diferentes para cada aluno, porque cada aluno é diferente um do outro. Voltando ao ponto, assim também temos que fazer com nossos superiores. Para sermos bons subordinados, precisamos "fabricar" mentalmente o contexto e a situação em que a pessoa estava quando tomou determinada decisão. A velha consciência individual.

Voltando ao filme, o personagem Bruce Nolan descobre amargamente quão difícil é decidir as coisas. Gosto particularmente daquela cena em ele pergunta à Deus (Morgan Freeman) “Como faço para as pessoas me amarem sem interferir no livre arbítrio?”, “Bem-vindo ao meu mundo”, responde o Criador. Deus pode tudo, só não pode fazer você gostar dele se você não quiser.

Pois é pessoal, precisamos aprender a contextualizar as decisões do lado do chefe e nos considerar parte integrante das pessoas que sofrerão o impacto dessas mesmas regras, de forma madura e não pueril, de forma imparcial e não tendenciosa. É um dos requisitos básicos para sermos bem-vindos nesse universo chamado Administração.