Esses dias eu estava discutindo com alguém sobre a questão da falta de mão de obra qualificada o Brasil. Essa pessoa - que não tinha lido nada a respeito - achava que não havia tal carência. E por que isso ? Resposta: porque era rico.
Vejo pessoas que não gostam de futebol acompanhando as notícias sobre o Neymar. Por quê motivo ? As pessoas ficam impressionadas com a capacidade de se ficar milionário tão jovem.
Todos os dias a mídia expõe pessoas que viraram celebridades de forma meteórica por um fato ou uma circunstância que absolutamente nada tem a ver com o esforço ou trabalho de muitos anos. Então o estudante pensa, "será que só estudando eu consigo ganhar tanto?"
Vimos, no contraponto, cotidianamente uma verdadeira "caça" aos empresários promovida pelos órgãos tributários. Se você abre uma "portinha" que seja, lá vem todo mundo querer a sua parte: Prefeitura, Estado, União, Sindicato, e por ai vai...
Bastou ter dinheiro em nosso país esse fato já nos credencia a opinar sobre os mais diversos assuntos sem ter lido nenhuma letra sobre nada.
Todo mundo quer dinheiro, é claro. Mas o problema no Brasil é que grana não é mais consequencia e sim objetivo. Além disso, tornou-se credencial de cultura. Isto está errado.
Hoje praticamente qualquer um pode ter uma televisão de plasma em casa. Quando eu era criança, com muito custo meu pai tinha uma TV Colorado RQ (Reserva de Qualidade), 24 polegadas, preto e branco. Você tinha de levantar para trocar o canal no seletor de canais. Não havia controle remoto.
Mas na escola líamos José Mauro de Vasconcelos, Érico Veríssimo, Viriato Correa. Meu professor de ciências tinha uma exposição na Holanda. Minha professora de desenho era formada na Escola de Belas Artes. Outra professora - a de história - vinha da USP, e assim por diante.
Como diz o Professor Cortella, antigamente uma pessoa podia tornar importante um produto ao usá-lo. Hoje, a pessoa é que se torna importante dependendo do produto que está usando.