É importante conhecermos o
contexto do mercado onde estamos atuando, mas muitas vezes não sabemos a
nascente desse contexto. Aqui vai uma contribuição pessoal depois de muitas leituras de autores conservadores, sobre
como e porque o mundo está mais profissionalizado
atualmente.
Há muitos anos atrás, as pessoas
podiam praticar atos de comércio ou serviço sem que os poderes tributários
exigissem qualquer tipo de taxa ou obrigação por parte delas. As coisas eram
mais amadorísticas e familiares, pois se desfrutava de mais liberdade fiscal.
Como sabemos, desde 1985, com o término
do período conhecido no Brasil como “ditadura militar”, o Brasil passou por uma
ruptura institucional, transitando da mentalidade de um regime pautado pelo
poder que fluía de uma única fonte, para as instituições democráticas mais
fortalecidas.
Aliás, muitas pessoas não sabem o
real significado de
democracia
e confundem tal conceito com “vontade da maioria” e coisas tais. O ingrediente
principal de democracia, é sim, a distribuição do poder. Para melhor
entendimento do que estou falando, leia
aqui.
Mas sigamos. Com uma mentalidade
mais “esquerdista”, o relevo desse clima se fez sentir com a promulgação da Constituição
de 1988, ou seja, direitos, direitos e mais direitos. Todo direito é, como é na
contabilidade, uma dispositivo disparado em partida dobrada. Ou, em outras
palavras, para todo direito temos uma obrigação correspondente. E quem proveria
tais direitos? O contribuinte, claro, ou seja, NÓS MESMOS.
Acontece que o mundo da ilusão é
doce e sedutor e a realidade, na nossa ótica, tarda a cair à nossa frente. Imbuído
pelo clima de “queremos mais liberdade”, os fornecedores dessa liberdade logo
se apresentaram para satisfazer esse anseio popular.
Voltando ao ponto, o controle
governamental saiu dos militares e foi para os civis, mais precisamente para as
esquerdas, e, como não poderia deixar de ser, começaram a concentrar no Estado,
o controle da sociedade. Em nome do “deixa que eu te protejo”, o Estado começou então seu trabalho de “tutela”
do contribuinte. Só que, para ser protegido é preciso dinheiro. Como já dizia
Napoleão Bonaparte, para se fazer uma guerra são necessárias três coisas
fundamentais: dinheiro, dinheiro e dinheiro.
Assim começou a se formar uma
teia de Leis, regulamentos, instruções normativas que, no intuito de proteger o
contribuinte, sufocaram o pequeno empreendedor, citado no início desse texto.
Leis protecionistas como anti-fumo, prazos de validades dos produtos, notas
fiscais eletrônicas e os SPEDs da vida, fizeram com que as empresas hoje
necessitem de um grande investimento para funcionarem.
Com isso abriu-se espaço para os
grandes empreendedores, ou seja, a economia de escala. Esses grandes
empreendedores são agentes econômicos de grande envergadura financeira que tem
condições de cumprir com todos os regulamentos e procedimentos impostos pelas
autoridades fiscais. E se você analisar todas essas leis, não tem uma só que
seja mal-intencionada. Todas, como disse, são para a sua “proteção”.
Com empresas mais profissionalizadas, a mão de obra
requerida também deve ser mais qualificada. Por esse motivo, por mais que você
estude sempre vai ser necessário mais preparo. O ingrediente principal do
Capitalismo, que era a concorrência, também se esvaiu, pois com a
impossibilidade dos pequenos participarem do grande bolo, ficou só para o
pessoal graúdo mesmo. E isso tudo dentro da Lei, Leis que seus queridos
representantes votaram. Como já dizia
George Bernanos: a democracia não é o contrário da ditadura, mas a sua causa.
Será que isso que eu disse tem respaldo na realidade? Reparem nas farmácias de bairros, nos supermercados, nos depósitos de material
de construção, nas lojas de eletrodomésticos. Hoje somente os grandes peixes
estão no páreo.