sábado, 25 de agosto de 2012

Economia de escala


É importante conhecermos o contexto do mercado onde estamos atuando, mas muitas vezes não sabemos a nascente desse contexto. Aqui vai uma contribuição pessoal depois de muitas leituras de autores conservadores, sobre como e porque  o mundo está mais profissionalizado atualmente.

Há muitos anos atrás, as pessoas podiam praticar atos de comércio ou serviço sem que os poderes tributários exigissem qualquer tipo de taxa ou obrigação por parte delas. As coisas eram mais amadorísticas e familiares, pois se desfrutava de mais liberdade fiscal.

Como sabemos, desde 1985, com o término do período conhecido no Brasil como “ditadura militar”, o Brasil passou por uma ruptura institucional, transitando da mentalidade de um regime pautado pelo poder que fluía de uma única fonte, para as instituições democráticas mais fortalecidas.

Aliás, muitas pessoas não sabem o real significado de democracia e confundem tal conceito com “vontade da maioria” e coisas tais. O ingrediente principal de democracia, é sim, a distribuição do poder. Para melhor entendimento do que estou falando, leia aqui.

Mas sigamos. Com uma mentalidade mais “esquerdista”, o relevo desse clima se fez sentir com a promulgação da Constituição de 1988, ou seja, direitos, direitos e mais direitos. Todo direito é, como é na contabilidade, uma dispositivo disparado em partida dobrada. Ou, em outras palavras, para todo direito temos uma obrigação correspondente. E quem proveria tais direitos? O contribuinte, claro, ou seja, NÓS MESMOS.

Acontece que o mundo da ilusão é doce e sedutor e a realidade, na nossa ótica, tarda a cair à nossa frente. Imbuído pelo clima de “queremos mais liberdade”, os fornecedores dessa liberdade logo se apresentaram para satisfazer esse anseio popular.

Voltando ao ponto, o controle governamental saiu dos militares e foi para os civis, mais precisamente para as esquerdas, e, como não poderia deixar de ser, começaram a concentrar no Estado, o controle da sociedade. Em nome do “deixa que eu te protejo”,  o Estado começou então seu trabalho de “tutela” do contribuinte. Só que, para ser protegido é preciso dinheiro. Como já dizia Napoleão Bonaparte, para se fazer uma guerra são necessárias três coisas fundamentais: dinheiro, dinheiro e dinheiro.

Assim começou a se formar uma teia de Leis, regulamentos, instruções normativas que, no intuito de proteger o contribuinte, sufocaram o pequeno empreendedor, citado no início desse texto. Leis protecionistas como anti-fumo, prazos de validades dos produtos, notas fiscais eletrônicas e os SPEDs da vida, fizeram com que as empresas hoje necessitem de um grande investimento para funcionarem.

Com isso abriu-se espaço para os grandes empreendedores, ou seja, a economia de escala. Esses grandes empreendedores são agentes econômicos de grande envergadura financeira que tem condições de cumprir com todos os regulamentos e procedimentos impostos pelas autoridades fiscais. E se você analisar todas essas leis, não tem uma só que seja mal-intencionada. Todas, como disse, são para a sua “proteção”.

Com empresas mais profissionalizadas, a mão de obra requerida também deve ser mais qualificada. Por esse motivo, por mais que você estude sempre vai ser necessário mais preparo. O ingrediente principal do Capitalismo, que era a concorrência, também se esvaiu, pois com a impossibilidade dos pequenos participarem do grande bolo, ficou só para o pessoal graúdo mesmo. E isso tudo dentro da Lei, Leis que seus queridos representantes votaram.  Como já dizia George Bernanos: a democracia não é o contrário da ditadura, mas a sua causa.

Será que isso que eu disse tem respaldo na realidade? Reparem nas farmácias de bairros, nos supermercados, nos depósitos de material de construção, nas lojas de eletrodomésticos. Hoje somente os grandes peixes estão no páreo.

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