domingo, 13 de setembro de 2009

Pensar, meditar e contemplar !

Hugo de São Vitor foi um dos maiores professores que o mundo já conheceu. Nasceu na Saxônia (hoje Alemanha) em 1096, mas foi em Paris no mosteiro de São Vitor que ele edificou sua grande obra pedagógica. Suas visões da alma racional como o pensamento, a meditação e a contemplação que foram concebidas num ambiente profundamente religioso também podem ser analisadas sob uma ótica laica.

Já não aconteceu conosco de martelarmos um problema sem acharmos uma solução e depois, com calma, após um bom repouso encontrarmos a resposta? Que mistério haverá no fato de quando o nosso cérebro se afasta do problema, conseguimos encontrar a saída?

Penso que vivemos num mundo onde há vários fatores que favorecem a dispersão. Podemos citar o telefone (ainda mais agora móvel), os emails, o msn, o Orkut, as incessantes cobranças da nosso cotidiano corporativo. A vida tornou-se uma sucessão de interrupções. E por falar em interrupção, vocês sabiam que o computador trabalha através de interrupções? Sim, por isso que em programação falamos em “responder a eventos”. Quando você move o mouse, clica em algum ponto da tela, aperta uma tecla ou conecta um periférico você dispara um evento para o qual o programador deve estabelecer uma instrução computacional que responda à ação que o usuário tomou.

Se você está pensando que a vida moderna nos compara a um computador, não está longe de acertar. Mas voltemos ao nosso grande Hugo de São Vitor, com sua contemplação. Muitas vezes ouvimos falar na expressão “você não faz nada, só fica pensando na vida...”. Porém essa afirmação é tão falaciosa quanto afirmar que um burro tem penas. O fato de estar pensando, ou absorto em algum ato contemplativo jamais poderia classificado como ação nenhuma. O cérebro precisa desse expediente para perpassar com calma tudo que ele absorveu sobre determinado assunto e vagar sobre os mares sem horizontes precisos para associar os dados e chegar a uma conclusão. Enganam-se os que pensam que a idade média foi só feudalismo e inquisição. Nessa época floresceram técnicas de estudo cujos frutos nutriram Ricardo de São Vitor (discípulo direto) e São Tomás de Aquino.

Não é por acaso que o Eclesiastes menciona que no luto aprendemos mais que nas festas, pois a balbúrdia é inimiga da concentração, do estudo, da contemplação e consequentemente da sensatez e da fecundidade intelectual.

2 comentários:

  1. Texto interessante. Duro é convencer quem nos cobra que não se deve apressar o artista!

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  2. Excelente texto, parabéns. As grandes obras intelectuais nascem do exercício de reflexão.

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